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O amadurecimento natural da criança, o estímulo saudável e o excesso – Qual o limiar?

Acelerar ou queimar etapas no desenvolvimento das crianças parece que virou obsessão dos pais atualmente. Isso é certo ou errado?

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Hoje gostaria de provocar uma reflexão. O mundo contemporâneo oferece muitos recursos e tecnologias para estimular os pequenos. Não que isso seja ruim. O problema é que pais excessivamente preocupados com o futuro de seu filhos, futuros empreendedores, empresários, pesquisadores sempre em topos de rankings (sim, porque não há outra opção para eles certo?) acabam pecando pelo excesso. Crianças têm seu tempo. O fato de serem inteligentes (sim, elas são) não pressupõe que precisam vestir-se como adultos, agir como adultos e ter agendas de adultos.

Uma criança com extrema inteligência, que aprende por si só a ler e escrever aos quatro anos, por exemplo, não significa, necessariamente, que esteja amadurecida nas outras áreas também. O impulso, neste caso, dos orgulhosos progenitores é ir à escola, à diretoria de ensino ou ao MEC para obter uma autorização para que aquele pequeno gênio possa pular etapas e quem sabe entrar aos quinze anos na universidade. Para quê?

É preciso ter um olhar holístico e compreender a criança como ela é, quais seus canais mais responsivos e perceptivos, quais desafios podem provocá-la a buscar mais, sem se esquecer que ela ainda é uma criança.

Um bebê não irá andar se colocá-lo em pé aos dois meses de idade. Um pré adolescente de catorze ou quinze anos não irá desempenhar um papel de universitário sem o detrimento de relações sociais e uma vida emocional saudável. Uma banana amadurecida à força, no forno, jamais terá o sabor de uma banana amadurecida naturalmente. Sempre que discorro sobre este assunto lembro-me de um texto, de autor desconhecido, cujo recorte copio a seguir.

Borboleta no dedo de uma criança - Foto: Poznyakov/ShutterStock.com

A lição da borboleta

Um dia uma pequena abertura apareceu em um casulo. Um homem sentou-se e observou a borboleta por várias horas e pensou: como ela se esforça para fazer com que seu corpo minúsculo passe através daquele pequeno buraco!

De repente, o homem percebeu que a borboleta parou de fazer qualquer movimento. Não havia progresso na sua luta. Parecia que já tinha lutado demais e não conseguia vencer o obstáculo. Então, o homem resolveu ajudá-la. Pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, ele percebeu que seu corpo estava murcho e suas asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que a qualquer momento as asas se abrissem e, firmando-se, pudessem suportar o peso do corpo. Mas nada aconteceu!

Ao contrário, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com o corpo murcho e as asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar porque o homem, na sua gentileza e vontade de ajudá-la, não compreendeu que era o aperto do casulo que fazia com que a borboleta se esforçasse e assim se fortalecesse para passar por meio da pequenina abertura [...].”

Crianças, apesar dos tempos modernos e das novas tecnologias, continuam sendo crianças que precisam de tempo, afeto, brincadeiras e muita fantasia.

Há idade para tudo. A infância passa rápido, é mágica, rica e efêmera. As crianças terão toda uma vida para serem adultos responsáveis e cheios de compromissos. Permitam um desenvolvimento estimulante e lúdico a elas e certamente estarão plantando uma vida saudável, feliz e com muita perspectivas, cujo rumo e escolhas por elas serão descritos.

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